HINO DAS J.M.J – SEOUL – 2027: “Confidite! Ego vici mundum”

Face às ressonâncias provocadas pela minha análise crítica ao Hino do Jubileu Universal-2025, um dia destes fui interpelado sobre a publicação do Hino para as JMJ -2027, em Seoul, Coreia do Sul: o que é que eu pensava do texto, se conhecia já alguma tradução portuguesa, e como via a respectiva música. Fiz uma rápida busca e deparei-me com todo um conjunto de elementos que pude apreciar e me motivaram algum trabalho à volta do respectivo texto, nomeadamente uma tradução adequada à música, para já, bem como uma leitura da partitura já disponível.

Resumidamente – e porque estamos ainda, no meu caso, perante uma espécie de “work in progress” posso adiantar o seguinte:

  1. Trata-se de um poema bastante belo, bem pensado, com uma temática bastante rica, com claras ressonâncias bíblicas e teológicas como se pode verificar na respectiva “didascália” com que o poeta e compositor o acompanha e mais alguns elementos que aponto.
  2. Pretendeu-se dar ao seu conteúdo uma dimensão internacional, procurando unir os jovens de todo o mundo num único cantar – a versão “internacional” está em Coreano, Inglês, Italiano e Espanhol, e o refrão inclui uma espécie de “Amen, também em Francês e… em Português.
  3. São disponibilizadas duas versões – embora não tão diferentes assim – uma de sabor mais clássico, pensada para uma execução em âmbito litúrgico e outra de sabor “pop” mais adequada para um ambiente de convívio, o que me parece bastante positivo ao se delimitarem os dois campos tantas vezes confundidos na música chamada “juvenil”. Em minha opinião, esta segunda versão “pop” funciona bem melhor que a clássica.
  4. Fala-se de uma orquestração de sabor “oriental”, mas parece-me que, para além da inserção de alguns instrumentos tradicionais, não transparece essa orientalidade na partitura e no resultado auditivo em sí; vejo mais influências de alguma música americana, indícios de uma harmonia de sabor jazzístico, e a procura de ritmos sincopados, embora muito incipientes. Não encontro elementos que apontem para a utilização da escala pentatónica, tão presente na música oriental e mesmo coreana; gostaria até de sentir algo do folclore coreano, pelo menos do famoso e quase internacionalizado “Arirang” que pude trazer de lá quando, vai para mais de trinta anos, percorri a Coria de norte a sul, e mais tarde trabalhei numa versão coral.
  5. Penso que se poderá vislumbrar algum sabor oriental na utilização da técnica da “variação estrutural” (maqam), muito presente na música indiana, na medida em que temos aqui uma melodia que vai sofrendo pequenas variações à medida do seu desenvolvimento conforme o texto. No entanto, essa característica parece-me representar um elemento negativo: as variações da melodia – dada a sua semelhança – acabam por confundir quem tiver que decorar o Hino, mesmo que particularmente acessíveis para quem conseguir ler música. Penso não ter sido uma boa opção; para mais, resulta numa partitura enorme, repetitiva, para um poema especialmente breve: 12 páginas na versão reduzida para Coro em duas pautas e Piano. É demasiado.

Procuro apresentar aqui uma tradução, não meramente literal, tomando como base a verão “internacional”. Procurei dar ao texto um sentido de continuidade no discurso, procurando relevar a beleza das ideias e sua concatenação e não apenas apresentá-las justapostas. Ao mesmo tempo, trata-se de uma proposta no sentido de uma versão que se possa cantar totalmente em Português, reservada sobretudo para as actividades de preparação das JMJ por cá. Quem for a Seoul deverá executar a versão internacional, pois creio ser o que está previsto. O confronto entre as secções em Italiano e em Espanhol com a versão integral em Inglês, permite verificar que estas traduções já assumem alguma independência. Acabei por segui-las – mesmo depois de ter trabalhado a partir da versão integral em Inglês – porque se trata de textos de muito fácil compreensão. Porém, como refiro, trata-se de um “work in progress” que terá em conta a maior proximidade possível ao espírito da partitura original ainda em estudo.

Apresento aqui o material disponibilizado pela organização, presente já em diversas plataformas, e nas condições ali assinaladas. Um serviço à preparação das JMJ sem qualquer outra intenção. Qualquer interessado poderá ter acesso aos materiais disponibilizados bastando para tal fazer uma breve busca pelos motores disponíveis, com relevo para a IA…