ROLANDE FALCINELLI (1920-2006): “Escutar e cantar a eloquência do silêncio”
No alvorecer de uma pós-modernidade em crise de significado, que procura renovar os laços com o passado – correndo o risco de sucumbir à armadilha da reificação – Rolande Falcinelli propõe a visão de uma arte imersa em valores humanistas, tratando de sintetizar tonalidade, modalidade, atonalidade, serialismo, coral, leitmotiv, como que a afirmar novamente que a arte, um poder orgânico e reconciliador, pode tornar-se uma sin+fonia, no pleno sentido do termo. Além do mais, ao fazer uma abordagem da arte com base no estudo das diferentes tradições – musicais, simbólicas, espirituais – para as fazer convergir até ao ponto da unidade e não da mistura, do pastiche ou do collage, ela teve que navegar entre os exageros de um vanguardismo que presumia ser o único porta-voz da modernidade e um historicismo exacerbado que transformava a criação e a estética num simples elaborar de peças de museu.
